quinta-feira, 10 de junho de 2010

S. João do Deserto

S. João do Deserto é um dos muitos locais aprazíveis próximos de Peralcovo, situado a meia dúzia de quilómetros da aldeia, na fronteira norte dos concelhos de Figueiró dos Vinhos e de Penela, freguesia de Espinhal.

Um postal do local editado pela Junta de Freguesia do Espinhal em 1988:


Um dos grandes pólos de atracção de S. João do Deserto são as suas festas, realizadas anualmente a 24 de Junho; o programa das festas de 2000:

Fotografias de S. João do Deserto em 2009:




quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Grafonola do meu Avô

Recordo-me de sempre de ver no "quarto escuro" a caixa, a base em madeira, de uma grafonola. Do que me contaram, a campânula e o mecanismo terão sido vendidos em altura de “aperto”.
Caixa em madeira (castanho?). Dimensões:
  • Base = 395 mm x 395 mm
  • Tampo = 355 mm x 355 mm
  • Altura = 210 mm

Perspectiva, com o tampo aberto


Vista de lado

Vista de lado (pormenor do encaixe da manivela)


Vista do tampo
Já agora, quando completa, a grafonola poderia ter tido mais ou menos este aspecto:

domingo, 29 de novembro de 2009

O alambique

O alambique da casa da minha avó é um dos objectos que faz parte das recordações da minha infância.

Situava-se num canto do pátio e, quando a aldeia ainda tinha habitantes, assisti algumas vezes à feitura de aguardente; lembro-me que o vizinho Ti Cavadas era participante habitual nas operações de fabrico...

Infelizmente tivemos de o retirar do seu "habitat", se não hoje restava-nos apenas ver as suas fotografias, tal como acontece a muitos outros objectos que a frequente ladroagem já levou.




Uma descrição muito exacta dos alambiques e do seu funcionamento pode ser encontrada no livro "Memórias de Trás da Serra" de José Lucas Pedro, do Fontão Fundeiro, de que já falámos anteriormente (ver pág. 122 e seguintes do livro).

domingo, 4 de outubro de 2009

Três postais ilustrados de Campelo

Três postais ilustrados recentes de Campelo (2006/2007):

José Costa Reis, filho de Peralcovo

José Costa Reis é um reconhecido homem das artes nacional; da Wikipédia extraímos um apontamento biográfico:


José Manuel Costa Reis nasceu em Lisboa a 15 de Setembro de 1947. Frequentou o Curso Superior de Pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, de 1964 a 1969, e estudou cenografia no Teatro Nacional de S. Carlos, com Mestre Furiga. No cumprimento do Serviço Militar tirou o curso de fotografia e cinema dos Serviços Cartográficos do Exército, único no género então existente no País.
Profissionalmente trabalhou durante dois anos no Núcleo de Cinema do Instituto Português de Cinema, a par de uma intensa actividade como cenógrafo e figurinista, bem como tem trabalhado regularmente como pintor, decorador, ilustrador, tendo ainda desempenhado funções de director de arte, na produtora portuguesas (Panorâmica 35) durante 6 anos.
Em 1991 funda a sua própria empresa (a Visual Total) destinada a criar e produzir decoração de interiores e décors para publicidade e televisão.
É professor de cenografia no Chapitô, das licenciaturas em Artes e Espectáculo da Universidade Lusófona. anteriormente, de 1992 a 2006 leccionou a disciplina de cenografia na Escola Profissional de Teatro de Cascais.
Juntamente com Jorge Salavisa cria no Teatro Municipal S. Luíz o "Ciclo Novos Vezes Nove" - "Actores" destinado a revelar novos talentos na área da representação.
Em 2006 é agraciado com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique por S.Exa. o Sr. Presidente da República Dr. Jorge Sampaio.
Pelo seu trabalho ligado à área da criação de moda nos anos 70 ser considerado o primeiro estilista português, tal como hoje se entende o termo.
Desempenha actualmente as funções de Director de Arte na T.G.S.A (actualmente T.D.N SA).

Cremos estar na presença do filho de Álvaro dos Reis, natural de Peralcovo.

Encontrei um pequeno artigo da revista "Caras" de Dezembro de 2001:


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Rodilhas feitas pela minha Avó

As “rodilhas” eram almofadas aneladas de tecido usadas pelas mulheres para transportarem cargas à cabeça, nomeadamente cestos e os cântaros de barro com água das fontes para as casas.
José Lucas Pedro, do Fontão Fundeiro (outra aldeia da freguesia de Campelo) descreve com pormenor no seu recente livro “Memórias de Trás da Serra ”, de que falamos já (pág. 202, 203), a função das rodilhas:


“Usava-se para servir de almofada para sustentar a cesta ou o cântaro.

A prática de algumas mulheres era tão grande que, colocada a rodilha na cabeça, não era preciso segurar o que quer que fosse que nela pusessem. As mais novas, enquanto não tinham experiência, ao tentarem imitar as mais velhas, iam segurando primeiro com as duas mãos, depois só com uma e, por fim, sem nenhuma.

Como que faziam um despique para ver quem primeiro conseguia equilibrar o cântaro ou a cesta sem mãos. Se, porventura alguma deixava cair o cântaro, ouvia um ralhete da mãe.

Bem estavam os rapazes porque não passavam por esta prova.

As mulheres eram mais sacrificadas que os homens pois, além de fazerem todo o trabalho doméstico e educarem os filhos, também faziam os trabalhos da lavoura. Só não cavavam as terras.

Esse trabalho era para os homens. Ainda assim, a mulher fazia o almoço e ia levá-lo onde os homens andassem a trabalhar.”


Em Peralcovo as mulheres também usavam rodilhas para ajudar no transporte da água da fonte (de S. José) para as suas casas. A minha Avó sabia fazê-las muito bem, como o comprovam as seguintes fotografias das mais bonitas rodilhas que me ofereceu a mim e à minha filha:

145 mm (diâmetro) x 50 mm (altura)

105 mm (diâmetro) x 40 mm (altura)

140 mm (diâmetro) x 40 mm (altura)


115 mm (diâmetro) x 50 mm (altura)


130 mm (diâmetro) x 40 mm (altura)

domingo, 13 de setembro de 2009

Os Fornos

Em Peralcovo muitas das casas tinham fornos para cozer o pão.


Os fornos que ainda sobrevivem constituem uma valiosa memória dos tempos em que a aldeia tinha vida.

Dois testemunhos sobre os fornos da região e o seu uso:

"Dentro dos muros das casa mais abastadas ficava ainda o forno de cozer o pão de milho ou de centeio. O forno levava em geral 20 broas ou mais, a parte superior era arredondada e a parte de baixo, o lar, era de barro; o forno era feito de barro e pedra molar." - "Monografia do concelho de Castanheira de Pera", Kalidás Barreto, Câmara Municipal de Castanheira de Pera, 2.ª ed., 2004.

"Na 'casa do forno', geralmente fora do espaço da casa de habitação, como o nome indica, fabricava-se, com todo o ritual e muito requinte, a broa de milho a que se misturava o centeio, ambos os cereais cultivados na região e moídos num ou noutro moinho particular como no do Joaquim Cinco Réis, na Fonte Velha, ou nos da Casa Lucas na Foz da Silveira e na Fonte Velha; ou no da Tia Gertrudes, na Assenha (Azenha) ou ainda no dos Priores, no Moinho Velho que, por ser a única construção ali existente, deu nome ao lugar; outros, ainda, eram explorados por moleiros de profissão, como os da Machuca, os de Vale Salgueiro (Entre-Águas) e os do Moinho Novo." (- "Memórias de Trás da Serra", José Lucas Pedro, ed. Autor, 2009.

Para além da interessante arquitectura dos fornos de Peralcovo, é de notar a grande variedade na sua implantação.



Forno situado no piso superior da habitação ("sobrado"):



Forno na cozinha, compartimento situado no "pátio", mas exterior à habitação:



Forno no exterior, no acesso à habitação (sob a varanda/escada):


Forno no exterior da habitação, mas com acesso para o seu interior, no piso superior ("sobrado"):



Forno situado no interior da habitação, no seu piso térreo: