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sábado, 30 de dezembro de 2017

Registo do batismo de habitante de Peralcovo em 1657

Um dos mais antigos registos escritos de  Peralcovo é certamente do baptismo de um seu habitante em 1657 - sim, não há engano, foi mesmo há 360 anos!

Trata.se de um registo da Paróquia de Campelo que se encontra no Arquivo Distrital de Leiria, patenteado em formato digital no seu site em http://digitarq.adlra.arquivos.pt/viewer?id=1094287.

O registo (o penúltimo da última página - o último é do Singral):


As referências:

BATISMOS

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Unidade de instalação Unidade de instalação
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/ADLRA/PRQ/PFVN03/001/0001
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1654 A data é certa a 1773 A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
1654-1773
DIMENSÃO E SUPORTE
1 liv.; papel
LOCALIDADE
Campelo - Figueiró dos Vinhos
ÂMBITO E CONTEÚDO
Registos de batismo da freguesia de Campelo: 1654-1773
COTA ATUAL
IV/33/D/73
COTA ANTIGA
3-H-25
IDIOMA E ESCRITA
Português
EXISTÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DE CÓPIAS
Microfilme no ADLRA
DATA DE CRIAÇÃO
17-10-2013 10:20:57
ÚLTIMA MODIFICAÇÃO
17-10-2013 10:26:55

domingo, 31 de julho de 2016

Figueiró e Castanheira no "Guia de Portugal" (1927)

O "Guia de Portugal" foi porventura o primeiro guia turístico português.

O primeiro volume do Guia foi editado em 1924. O guia tem 8 volumes, sendo os concelhos de Figueiró dos Vinhos e de Castanheira de Pera apresentados no volume II, que abrange a Estremadura, Alentejo e Algarve (Figueiró e Castanheira integravam então a Estremadura).

Francisco Seixas da Costa no blogue #Duas ou Três Coisas" descreve pormenorizadamente a história dos vários volumes do Guia (http://duas-ou-tres.blogspot.pt/2009/08/guia-de-portugal.html):

O primeiro volume do "Guia de Portugal" foi lançado em 1924 e dedicou-se ao tema "Generalidades - Lisboa e Arredores". Foi seu organizador e principal autor Raul Proença e conta com preciosos textos de grandes figuras da cultura portuguesa como Aquilino Ribeiro (Etnografia), António Sérgio (História), Reinaldo dos Santos (Arte), para além imensos textos do próprio Raul Proença e colaboração vária de Matos Sequeira, Afonso Lopes Vieira, Jaime Cortesão, José de Figueiredo, Teixeira de Pascoaes, Júlio Dantas, Pina de Morais, Orlando Ribeiro, Raul Lino, etc. É um volume riquíssimo, praticamente sem par. As descrições de Lisboa e percursos nos arredores, de uma região onde hoje sobram apenas os monumentos e escassos excertos de paisagens, são um imenso prazer de leitura. A capa de Raul Lino é, em si mesma, de uma bela simplicidade.
O 2º volume publicado, ainda pela Biblioteca Nacional, sobre "Estremadura, Alentejo, Algarve", foi impresso no final de 1927 - isto é, já sob ditadura militar. Nele estão alguns dos nomes do volume anterior e, também, outras figuras como Brito Camacho, Carlos Selvagem, Hernâni Cidade, Rodrigues Miguéis, Sarmento de Beires, Teixeira de Sampaio, etc. O prefácio é assinado por Raul Proença, agora já na qualidade de "ex-chefe dos serviços técnicos da Biblioteca Nacional". O regime tinha-o, entretanto, demitido das funções que ocupava desde 1911...
O prefácio que Proença escreve para este 2º volume revela que o Guia não quer ser um "bonzo doméstico", para o "fútil destino de ornamentar as estantes e os móveis das saletas". Quere-o "um companheiro de viagem (...), pronto a ser consultado a cada momento", pelo que necessita de ser "um livro portátil, que se pudesse folhear a todo o momento". Do texto transparece já, todavia, uma amargura profunda em Proença, sintoma do seu destino político e pessoal trágico, depois de ter combatido com armas o novo regime, que o levaria ao exílio, aqui em Paris, onde viveu alguns anos em condições de enorme dificuldade, em St. Germain-en-Auxerrois.
Só em 1944 é que sai o 3º volume, sobre "Beira Litoral, Beira Baixa e Beira Alta", ainda sob a chancela da Biblioteca Nacional, assinalando-se, no prefácio, que a responsabilidade da edição recai agora sobre um "núcleo de amigos" de Raul Proença, depois da morte deste, em 1941. O nome de Sant'anna Dionísio aparece agora como o novo coordenador do projecto e seu principal impulsionador, e assim será até ao final da edição completa, nos anos 70. Note-se que, neste volume, vão aparecer ainda textos de Alberto de Oliveira, Egas Moniz, Eugénio de Castro, Ferreira de Castro, João de Barros, Raúl Brandão, Rodrigues Lapa, Tomaz da Fonseca ou Vitorino Nemésio.
Uma nova interrupção faz com que, só em 1964 e 1965, saiam os dois volumes relativos a "Entre Douro e Minho", o 1º sobre o Douro Litoral e o 2º sobre o Minho, com Sant'anna Dionísio como impulsionador, mas agora sob a responsabilidade editorial da Fundação Calouste Gulbenkian. A qualidade dos colaboradores, há que dizê-lo, baixa drasticamente nestes volumes. Finalmente, em 1969 e 1970, são editados os últimos volumes, sobre "Trás-os-Montes e Alto Douro", um sobre "Vila Real, Chaves e Barroso" e outro sobre "Lamego, Bragança e Miranda". Neste caso, há novos colaboradores conhecidos: João Sarmento Pimentel, Jorge Dias, Miguel Torga, Ribeiro de Carvalho, etc.
A Fundação Gulbenkian reeditou, desde então, todos os volumes do "Guia de Portugal". Vale a pena tê-los, porque é uma interessante leitura de um outro Portugal (embora sem a Madeira e os Açores) que aí ficou registada.
Reproduzimos as páginas do "Guia de Portugal" referentes a Castanheira de Pera e a Figueiró dos Vinhos:















Deve ainda referir-se que alguns dos volumes do "Guia de Portugal" foram recentemente editados em formato digital (ver http://www.rtp.pt/noticias/cultura/gulbenkian-inaugura-edicao-digital-com-os-cinco-volumes-do-guia-de-portugal_n812448).

sábado, 11 de janeiro de 2014

Peralcovo na Wikipédia

Peralcovo já está Wikipédia, enciclopédia da  Internet. Eis o texto (que pode ser melhorado com os contributos de quem o queira):


Peralcovo

Peralcovo é uma aldeia situada na extremidade Sudoeste da Cordilheira Central/Serra da Lousã, na freguesia de Campelo, concelho de Figueiró dos Vinhos - coordenadas Latitude: 40º 0' 22” N, Longitude: 8º 17' 18” W, Altitude: 550 metros.

Os primeiros registos conhecidos acerca desta aldeia datam de 1758, quando o pároco de Campelo refere Peralcoyo como um dos lugares dessa paróquia (José dos Santos Matos de Carvalho, “Tempos Antigos da Região de Campelo”, in “Boletim da Casa da Comarca de Figueiró dos Vinhos”, número único comemorativo do seu vigésimo aniversário, 31 de Maio de 1957):

“(…) "em 1757, o Cura de Campelo, respondendo a um inquérito, informava o cura da freguesia de Lamas de que «o lugar de Funtam Simeyro desta minha freguesia tem capella particular»; e isto confirmou o mesmo Cura, Joam Roys Franco (conforme assinatura do próprio), quando no dia 6 de Agosto de 1758 e de Campelo escreveu, cumprindo ordem régia, o seguinte:
- «...minha Freguesia fica na Província da Beyra Bayxa Comarca e Bispado de Coimbra Termo de Miranda do Corvo...»
«Esta terra foi ela presente da Senhora Marquesinha de Arronches. Tem vinte e sete vizinhos, esta situada em hum valle e se descobre della hum lugar por nome Campillinho, o qual sit. a dois tiros de Funda...»
«... tem vinte e tres lugares que sam Campelo, Campillinho, Peralcoyo, Tresposto, Eyras, Pé de Janeiro, Alje, Singral Simeyro, Singral Fundeyro, Sigarrinhas, Siaras, Molhas, Ribeira Velha, Povoa, Fontam Simeyro, Fontam Fundeyro, Couto, Vilas de Pedro, Casas Velhas, Castelo, Casal, Aldeya Fundeyra e Val de Vicente. O Orago he a Senhora da Graça, tem coatro altares, - que eram o de S. Sebastião, o do Santíssimo, o da Senhora da Graça e o da Senhora do Rosario...»]]
Mas as origens da aldeia são certamente muito mais antigas. Uma lenda atribui a sua fundação à princesa Peralta:
« (…) A origem desta povoação, ao certo, dada a falta de vestígios, não se sabe, mas não restam dúvidas de que é muito antiga e, se dermos crédito à Lena, o seu nome é principesco, teria sido fundada pela princesa de PERALTA filha do opolento rei vencido a quando de prolongadas lutas na região da Lousã.
Esta princesa ter-se-ia refugiado no local batizando-o com o seu próprio nome. Por este motivo e também devido aos acidentes do terreno, o sítio torna-se conhecido por COVO (cova grande, esconderijo) de PERALTA, designações que, aglutinando-se teriam dado PERALCOVO.
É, efectivamente, aceitável que assim teria acontecido.
Esta povoação, de existência bastante remota, parecendo perdida desde há muito desejava ter um lar sagrado, a recordar o Creador nas serras que Ele semeara antes da subida aos Céus.
A construção de uma capela era uma ideia enraizada que num futuro mais ou menos próximo se converteria em realidade. Bastava a recordação que todos tinham da “TIA MARIA MOÇA” e dos seus santinhos para que essa ideia frutificasse, transmitida de geração em geração. Foi assim que chegou a nossos dias.
Então quem era a “TIA MARIA MOÇA”? Segundo diz a lenda, era uma pobre mulher, até certo ponto virtuosa.
Ela improvisara em sua casa, uma pequena CAPELA, que foi sem dúvida, o primeiro templo que existiu em Peralcovo. Diz-se até que os santinhos dela tinham muito valor; é verdade que lá acorriam numerosos crentes que faziam dádivas em cumprimentos de promessas.
Desta recordação parece ter nascido a capela que hoje lá se ostenta para onde foram os santinhos da “TIA MARIA MOÇA” e na qual se venera NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM. Todos os anos no último DOMINGO DE AGOSTO, acorrem a esta pequena povoação centenas de fiéis desta freguesia e arredores à festa da sua Padroeira.
SANTA DA BOA VIAGEM”,
OLHAI PELOS QUE SE VÃO:
O PAI, O MARIDO, O FILHO,
E MAIS O NOIVO E O IRMÃO»

(Texto inserido no verso do ícone/"santinho" dedicado a Nossa Senhora da Boa Viagem, a padroeira de Peralcovo – s/data)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Campelo em Maio de 1947

Mais alguns dados da freguesia de Campelo, desta vez dos dez anos do número comemorativo do jornal "Jornal da Casa Comarca de Figueiró dos Vinhos" - Maio de 1947.


História e geografia de Campelo:

 Deste texto extraímos alguns dados demográficos sobre a Freguesia de Campelo:
1757 – 240 fogos
1874 – 590 fogos
1940 (recenseamento) – 587 fogos; população: 932 varões + 1.074 mulheres = 2.006 habitantes agrupados por 489 famílias
Os 31 lugares de que fala o artigo eram os seguintes:
Aldeia Fundeira / Alge / Campelinho / Campelo / Casal / Casas Velhas / Castelo / Coito /Eiras / Fontão Cimeiro / Fontão Fundeiro / Fonte da Corte / Moinho Novo / Molhas / Pé de Ingote / Pé de Janeiro / Peralcovo / Ponte Fundeira / Porto de Oliveira/ Poesias /Póvoa / Ribeira Velha /Searas / Serradas / Singral Cimeiro / Torgal / Trespostos / Vale da Corça / Vale da Lameira / Vale do Vicente / Vilas de Pedro


Um pequeno artigo sobre Peralcovo:


E um pequeno anúncio à Casa Reis:

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Peralcovo em 1757

Em 31 de Maio de 1957 era publicado um número único comemorativo do vigésimo aniversário do “Boletim da Casa da Comarca de Figueiró dos Vinhos”.


 Devidamente visado pela Comissão de Censura, este número constitui-se quase como um anuário das principais atividades e história dos concelhos de Castanheira de Pera, de Figueiró dos Vinhos e de Pedrógrão Grande


Mas o aspeto que na realidade nos chamou a atenção foram os elementos históricos que, praticamente pela primeira vez nos fez chegar sobre a história e a população de Peralcovo há mais de 250 anos.
 

O artigo principal sobre Campelo e a sua freguesia era da autoria de José dos Santos Matos de Carvalho e merece uma leitura atenta.
 



Pois, mas como o nosso interesse é essencialmente sobre Peralcovo, passamos  a citar alguns dos aspetos que terão interesse mais direto neste assunto.

Assim, "em 1757, o Cura de Campelo, respondendo a um inquérito, informava o cura da freguesia de Lamas de que «o lugar de Funtam Simeyro desta minha freguesia tem capella particular»; e isto confirmou o mesmo Cura, Joam Roys Franco (conforme assinatura do próprio), quando no dia 6 de Agosto de 1758 e de Campelo escreveu, cumprindo ordem régia, o seguinte:
- «...minha Freguesia fica na Província da Beyra Bayxa Comarca e Bispado de Coimbra Termo de Miranda do Corvo...»
«Esta terra foi ela presente da Senhora Marquesinha de Arronches. Tem vinte e sete vizinhos, esta situada em hum valle e se descobre della hum lugar por nome Campillinho, o qual sit. a dois tiros de Funda...»
«... tem vinte e tres lugares que sam Campelo, Campillinho, Peralcoyo, Tresposto, Eyras, Pé de Janeiro, Alje, Singral Simeyro, Singral Fundeyro, Sigarrinhas, Siaras, Molhas, Ribeira Velha, Povoa, Fontam Simeyro, Fontam Fundeyro, Couto, Vilas de Pedro, Casas Velhas, Castelo, Casal, Aldeya Fundeyra e Val de Vicente. O Orago he a Senhora da Graça, tem coatro altares, - que eram o de S. Sebastião, o do Santíssimo, o da Senhora da Graça e o da Senhora do Rosario...»

E pronto, ficamos a saber que há exatamente 255 anos Peralcovo já existia como um dos 23 lugares de Campelo.

Tentaremos saber mais tarde o seu n.º de habitantes em 1758.



Ah, e a publicidade - à Casa Reis: